Já há uns dias que não choro, já há uns dias que não sinto essa vontade... Já há uns dias que consigo imaginar a minha vida no futuro. Já não sinto aquele aperto no peito quando penso nisso. Tenho momentos em que coloco questões, me questiono dos sentimentos que vou sentindo, mas já não o sinto como um cataclismo, mas como um processo natural de crescimento e procura de felicidade. Olho para tudo o que tinha e penso... tinha coisas boas, sim... mas não era feliz... não confiava... não tinha prazer no dia-a-dia... olho para mim e sinto que embora todas as dificuldades, dúvidas, questões, sou mais feliz... Já não sinto uma agonia constante como cada vez que entrava em casa... cada vez que tinha de habitar num individualismo constante, cada vez que me sentia excluída de uma vida que deveria ser partilhada, cada vez que descobria coisas que deveria saber por vontade e não por acasos, cada vez que queria conversar e ouvia o silêncio, cada vez que perguntava e só via um olhar no chão e um não sei perdido, cada vez que queria fazer programas a dois e só encontrava obstáculos, cada vez que pedia ajuda perceber que os ratos são os primeiros a abandonar o navio... cada vez que me senti repudiada, com vontade de fazer amor e não sabia onde estava, mesmo que estivesse ali ao lado... cada vez que tentei e senti recuo... cada vez que me zanguei e senti indiferença... cada vez que chorei e vi fuga... cada vez que me calei e vi satisfação... cada vez e todas as vezes em que me senti só...
Hoje estou sozinha, mas estou totalmente sozinha, não uma solidão acompanhada que fere por dentro, que nos machuca diariamente, uma destruição constante, um estagnar. Hoje estou só, numa solidão tranquila que tenho de aprender a viver, mas sinto que estou a construir, a caminhar, e que um dia poderei ser muito mais feliz.
E passou tão pouco tempo ainda. O mais importante é a sua vontade de ser feliz e, claramente que a tem.
ResponderEliminarBoa sorte***
Há momentos bons e há momentos tão negros no percurso...
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